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Campo Maior,05/06/2026

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Governo anuncia crescimento dos gastos federais para 2026 e eleva para quase R$ 24 bilhões bloqueio de despesas no Orçamento

Para cumprir a regra que estabelece um limite para os gastos, o governo precisa compensar o aumento de despesas obrigatórias cortando outras despesas, como investimentos.


Governo anuncia crescimento dos gastos federais para 2026 e eleva para quase R$ 24 bilhões bloqueio de despesas no Orçamento Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O governo federal anunciou que vai gastar mais em 2026 e declarou que, por isso, elevou para quase R$ 24 bilhões o bloqueio de despesas no Orçamento.

As despesas obrigatórias do governo federal, como salários e aposentadorias, cresceram mais que o esperado para 2026. A previsão anterior do governo era gastar menos, mas, na prática, vai gastar mais. Na revisão divulgada nesta sexta-feira (22), a equipe econômica estima que vai precisar de mais R$ 14 bilhões até o fim do ano para o BPC - Benefício de Prestação Continuada, pago a aposentados e pessoas com deficiência em famílias de baixa renda. O pagamento de benefícios previdenciários vai exigir mais de R$ 11 bilhões acima da estimativa anterior.

Esse aumento, segundo o governo, é consequência principalmente das medidas tomadas para reduzir a fila de espera por benefícios do INSS, como o BPC. A equipe econômica fala agora em rever estimativas.

“Nós estamos aqui ajustando as projeções do BPC nesse patamar para garantir que a dotação do BPC seja compatível com essas projeções, igualmente os benefícios previdenciários. Há uma projeção de aumento de R$ 11,5 bilhões nos seus valores, é um valor até na margem quando a gente considera o volume total de despesa previdenciária em torno de R$ 1 trilhão, falando em números redondos. Mas que, apesar de ser na margem para Previdência, tem um impacto relevante aqui para as nossas despesas”, diz Bruno Moretti, ministro do Planejamento.

Para cumprir a regra que estabelece um limite para os gastos, o governo precisa compensar o aumento de despesas obrigatórias cortando outras despesas, como investimentos. Por isso, a equipe econômica anunciou um novo bloqueio de mais de R$ 22 bilhões. Somado ao bloqueio que já tinha sido anunciado em março, ao todo, R$ 23,7 bilhões do Orçamento de 2026 terão que ser cortados. A previsão é fechar o ano com déficit nas contas públicas de R$ 60 bilhões.

Mas o governo afirma que vai cumprir a meta fiscal de superávit porque pode retirar R$ 64 bilhões em despesas dessa conta e usar esse dinheiro, por exemplo, para precatórios, que são dívidas judiciais de pagamento obrigatório. Além desses gastos que não são contabilizados, economistas alertam que preocupa o crescimento da dívida pública, que alcançou 80% do PIB, a economia do país. Especialistas afirmam que é necessário rever gastos.

"A falta de credibilidade hoje na política fiscal pressiona muito a taxa de juros e isso vem elevando a dívida e a dívida-PIB. Então, não basta a gente ter um número que se diz dentro da meta, se a gente tem vários subterfúgios e várias contas que são excluídas da meta e vários outros gastos fora do Orçamento. Isso tudo diminui a credibilidade fiscal do governo e vai continuar pressionando não só as expectativas de inflação, mas também as taxas de juros no Brasil”, afirma Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

“O caminho seria conseguir, de alguma forma, segurar um pouco o crescimento dessas despesas obrigatórias. Então, a gente deveria, de fato, repensar a forma como os gastos acontecem. E aí, a gente também tem que levar em consideração o que faz hoje com que essas despesas obrigatórias cresçam tanto”, diz Juliana Inhasz, economista do Insper.


Fonte: g1/Jornal Nacional




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