Walton Carvalho
Não, não é uma guerra espiritual
Falasse o pré-candidato de seus projetos para o Brasil, não naquele evento, um evento religioso. Falasse em ocasião adequada, fosse claro em suas ideias, fosse mais transparente em seus negócios pessoais
Não é uma guerra espiritual. E mesmo que fosse, a trincheira certamente não estaria dividida entre Lula como o mal e Flávio como o bem. E para termos certeza disso basta ser minimamente razoável.
Flávio está plenamente convencido de que sua plateia é facilmente manipulável e lança mão da mesma estratégia previsível que muitos já usaram: se apoderar do nome de Deus, falar em nome de Deus e se colocar como enviado dele para um fim específico.
Resta saber se seus ouvintes atenderão suas expectativas deixando de lado o pensamento crítico e se deixando levar por um sentimento meramente religioso e equivocado.
Entenda que quando uso a expressão "sentimento meramente religioso" não quero e nem tenho o direito de condenar ou menosprezar a religião e a fé das pessoas. É só um lembrete daquilo que temos visto na prática, muitas vezes. A religião pela religião, mais voltada para a superstição, enebria o pensamento, distorce a realidade e leva o fiel ao engano.
Falasse o pré-candidato de seus projetos para o Brasil, não naquele evento, um evento religioso. Falasse em ocasião adequada, fosse claro em suas ideias, fosse mais transparente em seus negócios pessoais e conquistaria seus eleitores com honestidade.
Mas usar o nome de Deus dessa forma? É inadmissível.
Essa campanha está sendo baseada unicamente em narrativas e guerra retórica. Os dois principais candidatos estão apostando sobretudo na rejeição que o eleitorado brasileiro tem pelo adversário. O que ambos têm feito na prática é potencializar os defeitos do outro, demonizar o adversário, enquanto se apresentam como opção.
E isso me faz pensar que não importa qual dos dois ganhe. No fundo perderá o Brasil.








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