Nova Caderneta da Gestante não aboliu a palavra ‘mãe’
Edição revisada do documento oferecido pelo Ministério da Saúde apenas incluiu a expressão “pessoa que gesta”, mas não aboliu o termo mãe
Publicações no WhatsApp e no Instagram sugerem que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria apagado a palavra “mãe” da Caderneta Brasileira da Gestante e que o novo documento agora adota o termo “pessoa que gesta”. Falta contexto.
Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“ADEUS, ‘MÃE’ Nova Caderneta da Gestante do Governo Lula Apaga a Palavra ‘Mãe’ e Adota ‘Pessoa Que Gesta’”
– Letreiro de post que circula no WhatsApp
O governo Lula não aboliu a palavra “mãe” da Caderneta Brasileira da Gestante. Na verdade, a versão atualizada do documento agora também inclui o termo “pessoa que gesta” — o que não significa que “mãe” deixou de ser usada. Essa informação foi omitida e tirada de contexto para induzir usuários da internet a entender que houve substituição total dessa palavra.
Em nota, o Ministério da Saúde explicou que a nova Caderneta “busca uma linguagem direta com o público, usando com frequência o termo ‘você’ para se referir às mulheres, gestantes e mães usuárias da caderneta”. A pasta também informou que, na parte do pós-parto e puerpério, o texto está direcionado às mães, “incluindo a valorização do contato mãe e bebê nas primeiras horas e nos desafios emocionais do puerpério”.
A nova Caderneta Nacional da Gestante foi lançada em 12 de maio, também em versão digital. Em comparação à edição anterior, de 2022, a edição atual é maior (112 páginas vs 52 páginas) e traz atualizações editoriais, como informações sobre acompanhante, métodos de alívio da dor, posições para o parto, procedimentos a serem evitados e orientações sobre os cuidados específicos do puerpério, entre outros pontos. Tem ainda seções sobre violência de gênero e informações sobre saúde mental, luto materno e violência obstétrica.
O documento recém-lançado menciona a palavra “mãe” cinco vezes (a edição de 2022 tinha 17 menções). Na página 20, por exemplo, cita o “direito a acompanhante, visitas e à permanência conjunta de mãe e bebê logo após o nascimento”.
Além disso, a Caderneta 2026 faz 49 menções à palavra “gestante” — duas a mais que a edição antiga (47 menções). O texto inova ao incluir um tópico às pessoas trans, assegurando que os mesmos direitos se aplicam tanto a mulheres quanto a pessoas trans e não binárias, ou seja, “todas têm o direito de vivenciar a gestação, o parto, o pós-parto e a amamentação com respeito, sem discriminação ou violência, e com acesso integral aos serviços do SUS”.
O termo pessoa que gesta, vale pontuar, é considerado mais inclusivo por englobar não só mulheres, mas também minorias de gênero.
Caderneta não sugere aborto
Diferentemente do que sugerem posts no Instagram, a Caderneta não sugere às gestantes que façam aborto. O documento apenas explica o que é perda gestacional, dá orientações em caso de perdas espontâneas, fala sobre a importância de respeitar as decisões da gestante e detalha quais são a situações em que o aborto é previsto em lei, como em caso de gravidez resultante de estupro (art. 128, II do Código Penal).
Fonte: Agência Lupa









COMENTÁRIOS