Entre Flash Gordon e He-Man: a semelhança entre Princesa Aura e Teela tem explicação
A famosa produtora Filmation praticamente transformou a reutilização de animação em uma marca registrada
Quem cresceu assistindo desenhos como He-Man and the Masters of the Universe, She-Ra: Princess of Power e The New Adventures of Flash Gordon provavelmente já teve aquela sensação curiosa de que alguns personagens pareciam “parentes distantes”. E não era impressão.
A famosa produtora Filmation praticamente transformou a reutilização de animação em uma marca registrada. O estúdio usava intensamente a chamada “animação limitada”, técnica criada para reduzir custos em produções televisivas semanais.
Na prática, isso significava reaproveitar movimentos inteiros, expressões faciais, corridas, socos e até modelos de personagens. Era comum mudar apenas a cor do cabelo, o figurino ou pequenos detalhes do rosto. O resultado? Personagens visualmente muito parecidos — algo que hoje virou parte do charme nostálgico dessas séries.

Um dos exemplos mais comentados pelos fãs é a semelhança entre Teela e Princess Aura. Aura apareceu na animação de Flash Gordon produzida pela própria Filmation no fim dos anos 70, enquanto Teela chegaria poucos anos depois em He-Man. Ambas compartilham traços faciais muito semelhantes, olhos marcantes, estrutura do rosto quase idêntica e até o mesmo “tipo” de animação.
Os fãs perceberam isso há décadas. Em discussões online, muitos apontam que a Filmation reutilizava modelos e movimentos constantemente para cumprir cronogramas apertados e manter os custos sob controle.
Mas seria injusto chamar isso apenas de “preguiça”. A televisão animada dos anos 70 e 80 funcionava sob pressão enorme. Episódios precisavam ser entregues rapidamente, com orçamentos muito menores do que os dos longas da Disney. A Filmation encontrou uma forma inteligente de sobreviver nesse mercado.
E, curiosamente, mesmo economizando quadros de animação, o estúdio conseguiu criar uma identidade visual fortíssima. Bastava assistir poucos segundos para reconhecer imediatamente um desenho da Filmation: os movimentos reciclados, os closes dramáticos, os fundos pintados lentamente deslizando na tela e as famosas sequências repetidas de transformação.

Ao mesmo tempo, o estúdio também inovava. A Filmation utilizou rotoscopia em várias produções — técnica que consistia em desenhar por cima de movimentos filmados de atores reais — e experimentou efeitos visuais avançados para a época em séries como Flash Gordon.
Décadas depois, aquilo que antes era uma solução econômica virou estética cultuada. Muitos fãs enxergam justamente nessas “repetições” o encanto das animações clássicas da TV. O visual rígido, os ciclos reaproveitados e os personagens parecidos acabaram se tornando parte da memória afetiva de toda uma geração.
No fim das contas, a Filmation talvez tenha provado algo curioso: às vezes, as limitações também criam estilo.
Abim de Souza









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