Moradora de prédio atingido por avião em BH denuncia assédio
Em busca de dinheiro, golpistas têm criado falsos perfis fingindo ser a modelo. Ainda abalada, ela recebe uma enxurrada de mensagens de cunho sexual e ameaçador
crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press Golpes, ameaças, mensagens de cunho machista e muito medo. Isso é o que Natália Bicalho, de 23 anos, tem vivenciado em meio à repercussão de entrevistas concedidas à imprensa no dia em que um avião atingiu o terceiro andar do prédio onde ela vive, no Bairro Silveira, região Nordeste de Belo Horizonte, na última segunda-feira (4/5).
Naquele dia, a modelo e estudante de direito relatou ter sido surpreendida ao chegar em casa. O choque ao ver a cena do acidente levou a jovem a desmaiar. Após ser socorrida, ainda abalada, aceitou conversar com jornalistas.
Porém, algo chamou atenção. Ao acessar os comentários das publicações com o depoimento de Natália, nas redes sociais, ela viu milhares de comentários sobre sua aparência física, sendo a maior parte, piadas de cunho machista e questionamentos sobre sua intenção ao comentar sobre a tragédia.
Além disso, por meio de inteligência artificial, internautas criaram imagens em que a moradora estava com a cabeça sangrando e o prédio explodindo, o que não aconteceu.
“Começou com um assédio moral. Depois, vi homens fazendo comentários de cunho sexual e recebi muitas mensagens no direct, inclusive fotos íntimas. Precisei privar o Instagram, que eu utilizava para trabalhar”, contou a estudante.
Ela relatou ainda que 99% das pessoas que começaram a segui-la depois do desastre “são homens”. A mulher trabalha como modelo de maquiagem e posa para fotos com vestidos de noiva. Segundo ela, todo o conteúdo das suas redes é voltado para esse público. “Não quero esse tipo de atenção, não tinha esse número de seguidores e não os quero em cima de uma tragédia que poderia ter me deixado sem casa, matado meus vizinhos e me matado”, disse.
Além das ofensas e da enxurrada de assédio que a levaram a privar seu perfil na rede social, contas falsas de pessoas se passando por ela começaram a surgir. De acordo com Natália, pessoas por trás dos perfis enganosos têm aplicado golpes, pedindo dinheiro em nome dela.
Muitos comentários julgam a forma de falar e o fato de a mulher estar “arrumada demais" quando falou com os jornalistas. “Estão dizendo que não sou moradora do prédio, que fiz isso para aparecer ou que passei maquiagem para dar entrevista, quando nem estava em casa no momento do acontecido”, relatou. Quando a aeronave atingiu o edifício, a modelo estava trabalhando presencialmente.
Natália afirmou que procurou a Polícia Militar para realizar uma denúncia e foi instruída a salvar todos os comentários, postagens e mensagens como provas, para a criação de um boletim de ocorrência.
Ela diz se arrepender de ter falado publicamente sobre o tema. “Dá um certo medo, as pessoas me reconhecem na rua, já vi gente tirando foto. Estive no hospital nesta semana e estavam me filmando, num momento de total fragilidade. Isso é muito cruel”, relatou.
Também tem sido exaustivo para sua família e vizinhança. “Escutamos barulho de avião aqui e trememos. A gente viu sangue, viu as pessoas machucadas e ainda passamos por esse tipo de exposição”, contou a moradora do prédio.









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